A Visita da Morte
A morte veio visitar-me e disse: Olá, tudo bem? Precisamos conversar. E eu estranhei, ainda sou nova, fresca como uma alface, mas achei que devia ser importante ouvir o que ela tinha para me dizer. E por muito assustador que pareça, foi bom conversar com ela, ela disse-me coisas deveras interessantes.
A Visita da Morte
A morte veio visitar-me e disse: Olá, tudo bem? Precisamos conversar.
E eu estranhei, ainda sou Jovem, fresca como uma alface, mas achei que devia ser importante ouvir o que ela tinha para me dizer. E por muito assustador que pareça, foi bom conversar com ela, ela disse-me coisas deveras interessantes.
Ela fez-me sentir que o meu corpo é sagrado, é mais sagrado que um templo de pedra e cimento, o meu corpo é vida, não querendo desmerecer os calhaus fantásticos que temos por aí, mas a biologia do corpo humano vai um pouco além na sua complexidade, digo eu.
E então, antes que ela me pudesse levar a dar uma voltinha no carrossel da eternidade disse:
Alto lá que se é para tomar conta do avatar eu prometo que a partir de agora vou fazer-me prioridade. Mas isto, não é brincadeira meus amigos, e digo mais, é questão de vida ou morte. E agora aqui caríssimos, é que bate o malho, agora é que a temperatura vai subir, porque depois deste compromisso assumido eu tenho realmente de aprender a apaixonar-me por esta derme luminosa e estes olhinhos lindos que a terra, não comeu. Tenho de Honrar-me, realizar-me, todos os dias, e sentir esse amor a vibrar-me no corpo, as senhoras sabem, e os senhores também?
Não, mas a sério. O corpo é a nossa casa, ele é importante. A morte disse-me isso. E depois, não podemos esquecer que a mente vive no corpo, e nós também. Acredito que quando o corpo se for, quando o corpo decidir partir finalmente de férias com a morte, a mente vai continuar, mudando-se apenas para essa Disney encantada da eternidade. Mas neste momento ainda há um corpo, então é preciso amá-lo, cuidá-lo, tocá-lo suavemente, ou com firmeza dependendo dos gostos de cada um.
É óbvio que ela também me falou da mente… E a mente, é preciso nutri-la e regá-la com pensamentos belos e empoderadores, pra cima, para elevar a vibração, pensamentos que me façam sentir uma verdadeira Carmen Miranda, com frutas a surgir por todos os lados! E rir, rir e chorar, permitir-me sentir basicamente, ser, em todo o meu esplendor!
Sentir, é forte, e é preciso, para lavar o templo carnal de que falamos. Às vezes essa emoção vem com força, como uma onda daquelas tipo nazaré, das entranhas sobe pelo coração, desentope o que estava preso na garganta e sai pelas janelas da alma.
A morte é poética.
Falo daquelas emoções tipo paixão de novela, ou de uma perda daquelas que doi tanto que parece que nos tiraram um rim para o tráfico de órgãos. Vocês sabem. Mas seja qual for o tamanho, a emoção, tem de sair, senão, mais cedo ou mais tarde, o templo leva com um tsunami em cima, que nem é bom! Para a medicina talvez…

É preciso falar com a morte para entender a vida, é preciso olhá-la nos olhos, dar-lhe um abraço, e 5€ para ela ir comer um Gelado descansadinha e não voltar tão cedo. Entretanto nós vamos gerindo o templo com doçura e cuidado e com jeitinho somos promovidos a sacristão do mês.